28 de Julho de 1914 – Império Austro-Húngaro declara guerra à Sérvia

Como desculpa de não ter tido todas as suas exigências do “Ultimato de Julho” atendidas, o imperador Franz Joseph, do Império Austro-húngaro, declara guerra à Sérvia. Não foi apenas mais uma guerra balcânica. Foi o prelúdio para a “guerra que acabaria com todas as guerras”!O Começo do Conflito

Os primeiros tiros desta nova guerra foram disparados pelos austríacos da fortaleza de Zemun, localizado ao lado do rio Belgrado em direção à capital Sérvia, seguidos por navios da Marinha que também realizavam o bombardeio impetuoso contra a cidade de Belgrado, capital da Sérvia.

No dia seguinte, o Kaiser alemão, Guilherme II, manda telegramas ao seu primo, o czar russo Nicolau II, pedindo para que o império russo não intervenha naquele conflito que estava se desenrolando nos Bálcãs. Contudo, não obteve êxito e os russos mobilizaram suas reservas e seus exércitos. A guerra estava começando numa escala maior que qualquer general poderia prever.

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 Kaiser Guilherme II

 A Invasão da Sérvia

Em 28 de Julho o exército Austro-Húngaro cruza a fronteira da Sérvia, na região do Drina, e inicia os combates contra os militares sérvios, por outro lado a população daquele país é quem paga o maior preço pelo atentado ao arquiduque. Estimativas relatam que, durante o primeiro mês da guerra, mais de 4 mil civis Sérvios foram mortos ou desapareceram.

Eis um quadro comparativo de forças:

Sérvios

Austro-Húngaros
Batalhões 209 329
Baterias 122 143
Esquadrões 44 51
Companhias de Engenharia 22 45
Canhões 558 756
Metralhadoras 210 490
Total de Combatentes : 250.000 378.000

 

Nos primeiros dias de agosto de 1914, os austro-húngaros tinham três Exércitos posicionados contra o reino da Sérvia e comandados pelo general Oskar Potiorek. Na visão do governo sérvio e de seu comandante militar, o Vojvoda Radomir Putnik, a invasão austro-húngara certamente seria dirigida contra a capital (Belgrado), cidade posicionada junto à fronteira adversária. Em seguida, deveria seguir para o sul, aproveitando-se do vale do Rio Morava. Assim, quando Oskar Potiorek iniciou seu ataque contra o noroeste da Sérvia, atravessando os rios Sava e Drina, Putnik, durante alguns dias, esteve certo de que aquilo não era mais do que um finta, para enganá-lo. A verdade, porém, é que Potiorek estava realmente lançando contra o flanco esquerdo sérvio todo o peso de seus três Exércitos e esperava alcançar a cidade de Valjevo em cinco dias.

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Batalha de Cer (lê-se “Tser”)

Quando Putnik finalmente se deu conta do que estava acontecendo, ordenou que os três Exércitos sérvios desdobrassem um cordão defensivo naquela direção apoiados, na extrema esquerda, pelo destacamento Uzhitse. O IIº Exército sérvio, comandado por Stepa Stepanovi?, era o mais forte deles, não pelo seu efetivo, mas pela qualidade das suas divisões, que dispunham dos melhores materiais e humanos. Ao final de quatro dias de batalha, os austro-húngaros foram repelidos e seus últimos soldados repassaram a fronteira no dia 24 de agosto. É interessante referir que o IIº Exército austro-húngaro, antes do fim da batalha, começaria a ser removido na direção do front russo.

Cerca de 18.500 militares austro-húngaros foram mortos ou feridos durante estes combates e outros 6.500 foram capturados. Foi, para os sérvios, um feito digno de nota, em um momento em que seus aliados franceses, ingleses e russos vinham passando por sérias dificuldades. Em novembro os austro-húngaros realizariam uma nova grande ofensiva na região, resultando na Batalha de Kolubara.

 Entrada da Bulgária e Rendição

A Sérvia resistiu contra uma invasão total até o ano de 1915 quando a até então a neutra Bulgária, iludida por promessas das potências centrais em reaver grandes territórios, decidiu declarar guerra contra os Sérvios. Iniciou sua invasão pelas províncias da Albânia e Montenegro onde os defensores já não tinham mais forças para lutar contra outro reino e em novembro de 1915, o general Radomir Putnik ordena a retirada total das forças da Sérvia e assina a sua rendição. A Sérvia foi desocupada somente após o fim do conflito, em 1918.

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