2 de Agosto de 1914 – Aliança germano-otomana

As potências centrais partem em busca de mais aliados para fortalecer o seus blocos. Veem nos turcos-otomanos uma grande nação capaz de ajudar os países da Tríplice Aliança, sobretudo os alemães, a terem acesso as colônias britânicas no oriente.

Razões

A Aliança entre Império Turco-Otomano e o Império Alemão foi criada como parte dos esforços conjuntos entre ambos os Impérios. A escolha da Alemanha não foi a primeira opção para o Sultão Mehmed V, ele desejava alguma forma de industrializar seu país e mandou que seus embaixadores buscassem apoio em qualquer nação desenvolvida européia.

Sultan_Mehmed_V_of_the_Ottoman_Empire

Sultão Mehmed V

Suas propostas foram rejeitadas por vários países, entre eles a França, a Inglaterra, a Itália e a Rússia, pois os europeus impunham termos que eram inadmissíveis para os turcos. Sendo assim, os alemães fizeram uma oferta tentadora aos otomanos: eles ofereceriam a tão desejada industrialização. Em troca, todo o Império teria que apoiar as potências centrais durante a primeira guerra mundial, além de fornecer passagem à África e o Oriente Médio.

O sultão tentou fazer com que o Império não entrasse na guerra, porém seus conselheiros mostraram que uma aliança com os germânicos poderia ser uma ótima escolha para eles, além do mais, para evitar uma aproximação dos otomanos com a tríplice entente, o império alemão convenceu a Romênia e a Bulgária a ficar ao lado das potências centrais. Com isso, não havia outra escolha aos turcos senão juntar-se aos germânicos. O tratado foi assinado sob a presença das altas autoridades de ambos os Impérios.

Do lado otomano, estavam o chefe do parlamento, o ministro do Interior, o ministro da guerra. Entretanto não havia a assinatura do chefe de todas as forças militares, o Sultão Mehmed V, comandante em chefe do exército turco. Este fato põe em xeque a legitimidade da aliança entre os dois países, visto que, de fato, os otomanos só entraram realmente em guerra no dia 29 de Outubro, no mesmo período que membros da marinha turca, sem nenhuma ordem de ataque expedida oficialmente, bombardearam um porto russo.

O Tratado

“Constantinopla, 02 de Agosto de 1914.

As duas partes contratantes concordam em observar estrita neutralidade em relação ao conflito atual entre a Áustria-Hungria e Sérvia. No caso de a Rússia intervir com medidas militares ativas ao qual deve trazer um casus foederis para a Alemanha com relação à Áustria-Hungria, este casus foederis também viria a existir para a Turquia. Em caso de guerra, a Alemanha vai deixar sua missão militar à disposição da Turquia. Este último, por sua vez, assegura a missão militar de uma influência efetiva sobre a conduta geral do exército, de acordo com o entendimento que chegou  diretamente entre Sua Excelência o Ministro da Guerra e Sua Excelência o Chefe da Missão Militar. Alemanha obriga-se, se necessário, pelo uso de armas no território otomano em caso deste ser ameaçado. Este acordo, que foi celebrado com a finalidade de proteger ambos impérios de complicações internacionais, que podem resultar do presente conflito, entra em vigor logo que for assinado pelos plenipotenciários acima mencionados, e permanecerá válido juntamente com quaisquer acordos mútuos semelhantes até 31 de Dezembro de 1918. No caso de não ser dado um anuncio formal de encerramento por uma das altas partes contratantes seis meses antes do término do prazo acima mencionado, o presente Tratado permanecerá em vigor por um período adicional de cinco anos. O presente documento deve ser ratificado por Sua Majestade, o Imperador Alemão, Rei da Prússia e por Sua Majestade, o Imperador dos Otomanos e as ratificações serão trocadas no prazo de um mês a contar da data de sua assinatura. O presente Tratado permanecerá em segredo e só poderá ser tornado público como resultado de um acordo entre as duas altas partes contratantes.

Em testemunho: Baron von Wangenheim (pela Alemanha) Said Halim (pela Turquia)”

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