03 de Agosto de 1914 – Alemanha declara guerra à França

O pior cenário militar estaria em prática para os generais alemães: a guerra em duas frentes. O qualquer líder militar teme, acabara se tornando real. Contudo, a história irá se mostrar ainda mais cruel e gerar ainda mais temor para os franceses.

Antecedentes

Tanto França quanto Inglaterra possuíam hegemonia em relação aos seus domínios no continente europeu e suas respectivas colônias. Já a Rússia possuía uma soberania bélica no leste europeu reinando soberana com uma zona de influência que se estendia dos Bálcãs até as fronteiras austro-húngaras e alemã. Porém, após a unificação alemã, uma nova rival para estas três potências estava em curso. O acordo que os alemães fizeram com os austro-húngaros em 7 de outubro de 1879 vinha para quebrar essa hegemonia russa em todo o leste europeu e para mostrar ao ocidente que a Alemanha não estava sozinha.

Este pacto ficou conhecido como Aliança Dua e garantiria uma assistência mútua em caso de ataque russo. Porém, após um acordo entre russos e franceses em 1892 que garantia a ajuda entre ambos os países para rivalizar a com Alemanha, a França também entrara na lista de hostis aos interesses alemães.

Este tratado entre franceses e russos acabara com o isolacionismo francês mantido desde sua derrota para os germânicos na Guerra Franco-Prussiana. Os empréstimos generosos feitos pelos bancos franceses aos russos para a modernização de suas forças militares geraram uma bela “atmosfera” entre ambos.

Com a declaração de guerra feita pela Alemanha à Rússia em 1 de Agosto de 1914, a França viu sua chance para uma vingança contra a derrota na guerra franco-prussiana, bem como reaver os territórios perdidos neste confronto (Alsácia-Lorena, por exemplo), desbancar a nova concorrente comercial e honrar o acordo feito com os russos. No mesmo dia da declaração de guerra, o presidente francês ordenou uma mobilização geral das tropas francesas.

Declaração de Guerra

“M. le Presidente,

As autoridades administrativas e militares alemães flagraram um certo número de atos hostis cometidos em território alemão por aviadores militares franceses. Vários destes têm violado abertamente a neutralidade da Bélgica, através de vôos sobre o território desse país. Um destes tentou destruir edifícios perto de Wesel, outros foram vistos no distrito de Eifel, um jogou bombas na estrada de ferro perto de Carlsruhe e Nuremberg.

Eu estou instruído e tenho a honra de informar vossa excelência que na presença destes atos de agressão, o Império Alemão se considera em estado de guerra com a França em consequência dos atos desta ultima potência.

Ao mesmo tempo, tenho a honra de trazer ao conhecimento de Vossa Excelência que as autoridades alemãs manterão navios franceses mercantis em portos alemães, mas eles vão liberá-los se em quarenta e oito horas eles tiverem a garantia de reciprocidade completa.

Minha missão diplomática tendo assim chegado ao fim, resta-me solicitar a Vossa Excelência para ser bom o suficiente para fornecer-me os meus passaportes e de tomar as medidas que considerar adequadas para garantir meu retorno para a Alemanha com o pessoal da Embaixada, bem como com o pessoal da Legação da Baviera e do Consulado Geral alemão em Paris.

Seja bom o suficiente, M. le Presidente e receba a garantia de meu mais profundo respeito.”

a x françaKaiser Alemão (esquerda) e o presidente Francês Raymond Poincaré (direita)

Deixe uma resposta