04 Agosto de 1914 – 16 de Agosto de 1914 – Batalha de Liège

A batalha de Liege foi o primeiro grande confronto entre forças na primeira guerra mundial. Esta grande batalha envolveu um assalto das tropas germânicas as posições de defesas físicas belgas. Mais de 20.000 pessoas perderam suas vidas nesta batalha.

Antecedentes

O plano Schlieffen previa o avanço rápido para evitar as fortificações francesas na região da Alsácia pela Bélgica, entretanto os belgas haviam declarado sua neutralidade tendo obrigado, assim, o Kaiser Guilherme II a enviar um ultimato ao Rei Alberto I exigindo que as tropas germânicas tivessem transito livre durante sua passagem pela Bélgica .

O plano original previa que os belgas iriam aceitar as exigências alemãs sem resistência. Contudo, o que foi posto em prática foi extremamente diferente com os belgas resistindo, pifiamente, é verdade, contra aos invasores. Tal situação deu um tempo precioso para que franceses e britânicos preparassem uma defesa no território francês. Liege estava no caminho entre Berlim e Paris, com uma ferrovia que dava acesso a capital francesa e que, de acordo com o plano, deveria ser usada pelos alemães para uma movimentação mais rápida. Eis então a localidade essencial que as potências centrais deveriam tomar a qualquer custo.

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Jornal Francês noticia a Invasão da Neutra Bélgica pela Alemanha

Os Fortes

A cidade possuía 12 fortes bem armados, com distância entre si que variavam de 6 a 10 km do centro urbano. Estes fortes faziam a posição de guarda em volta da cidade, todos equipados com armas Howitzer de 210 mm, canhões de 150 mm e metralhadoras de 57mm. As armas de longo alcance estavam preparadas para defender a fortificação aliada mais próxima, porém, apesar de tanto poder de fogo, não haviam ligações entre os fortes, sendo assim cada uma agia como uma fortaleza independente sem qualquer ligação terrestre com o aliado mais próximo.

O rei Alberto ordenou que o encarregado para a defesa da cidade fosse o general Gérard Leman e seus 36 mil homens, distribuídos em 500 homens para cada forte e o restante fechando as lacunas que estavam entre cada um. O monarca especificou para Gérard que ele deveria defender até o fim a região

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 Diagrama mostra os fortes em volta de Liege

Os atacantes

As forças alemãs encarregadas pelo ataque estavam sob o comando dos generais Erich Ludendorff e Otto von Emmich com mais de 58.900 soldados, além das 100 peças de artilharias com destaque especial para as de 410 mm especializadas justamente em destruir fortificações. Fabricadas pela Krupp, foram batizadas com o nome da filha do seu criador, Bertha Krupp. Segue um relato de um civil que presenciou a chegada desta artilharia e os primeiros disparos realizados contra o forte de Loncin.

“O monstro avançava em 2 partes puxado por 36 cavalos. O pavimento tremia, os corvos ficaram mudos com medo da aparência deste aparato fenomenal. Então vinha a explosão assustadora, o pessoal era jogado para trás, a terra vibrava feito um terremoto e todas as vidraças das janelas das adjacências eram despedaçadas.”

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A Batalha

A campanha belga propiciou, apesar do pequeno número de soldados envolvidos, uma taxa relativamente alta de baixas alemãs onde, de seus 58 mil homens, houveram 20 mil baixas. Em 4 de agosto, um feito histórico aconteceu na cidade de Liege. Os alemães pela primeira vez usaram meios aéreos para bombardear a cidade, sendo utilizado Zeppelins para o serviço.

Para vencer a resistências dos fortes, os atacantes usaram o apoio maciço de suas artilharias que possuíam um grau de penetração altíssimo devido à localização dos impactos e o calibre das armas já que as fortalezas foram projetadas em 1890. Estavam prontas para resistir a qualquer calibre de sua época, entretanto a Alemanha tinha em mãos calibres maiores aos projetados pelos belgas e a localização dos fortes faziam com que os projéteis tivessem impacto direto sob seu teto.

Este ponto fraco das fortificações fizeram com que, como no caso do Forte Loncin, um tiro atingisse seu paiol de munições e mandasse o teto, com mais de 2 metros de espessura e feita de concreto, para baixo esmagando toda a guarnição daquela localidade.

Os fortes foram tomados um a um e no fim do dia 16 de agosto de 1914, o cerco a Liege havia terminado com seu chefe, o general Leman, ferido dentro do forte de Loncin e levado inconsciente pelos germânicos. O plano Schlieffen assim continuaria com o seu prosseguimento.

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Forte de Loncin destruído

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