04 de Agosto de 1914 – Grã Bretanha declara guerra à Alemanha

De um lado França e Rússia formavam a Tríplice Entente. Do outro Alemanha, Império Austro-Húngaro e Império Turco Otomano formavam a Tríplice Aliança, ambos os blocos estavam prestes a enfrentar a maior guerra que o mundo já vira até então. E desta vez, a Inglaterra estaria tomando sua posição!

Antecedentes

O dia 4 de Agosto havia representado mais uma data sombria na história européia. Mais uma guerra pairava sob os domínios de França, Alemanha, Inglaterra e Rússia. Esta nova, porém, apesar das expectativas de todos os países de ser apenas mais um breve conflito no tradicional histórico europeu, se mostrou o mais mortal. Tanto as baixas da França quanto as da Inglaterra foram as maiores de sua história superando, inclusive, a campanha de ambos na Segunda Guerra Mundial.

A Inglaterra era a única potência cuja alegação de ter sido atacada era inviável para ser utilizada como justificativa para o conflito. Contudo, após as declarações de guerra da Rússia e França, os ingleses sabiam que não poderiam se dar ao luxo de isolar-se, pois a segurança de seus domínios não dependia somente de si própria, mas também de seus aliados que já estavam em guerra. As colônias na África e a Índia dependiam das aliadas França e Rússia. Portanto, não havia outra opção a não ser buscar uma justificativa (ou uma razão) para entrar em estado de guerra contra a Alemanha.

O fato surgiu no dia 2 de agosto quando a Alemanha envia um ultimato à Bélgica exigindo passagem para suas tropas em meio ao território belga. Com a recusa do rei belga, os alemães declaram guerra contra um país que havia anunciado sua neutralidade e tinha a mesma assegurada pela Inglaterra. A passagem por aquele país era vital  para os esforços de guerra alemão. Estes, por sua vez, usavam como diretiva de ataque uma estratégia desenvolvida em 1905 chamada de Plano Schlieffen e com a falta de cooperação belga não havia outra opção senão a invasão armada. Esta ocorreu no dia 03 de agosto como parte dos planos alemães de atacarem os franceses.

O Plano Schlieffen

Foi uma estratégia desenvolvida pelo comandante-em-chefe do exército alemão, Alfred von Schlieffen, que previa as diretivas que seriam usadas em caso de ataque por parte de Inglaterra, Rússia e França. O plano consistia em derrotar rapidamente o forte exército francês, porém na fronteira entre os dois países havia uma série de fortificações e um número de soldados semelhantes aos do exército alemão, porém, estes últimos também estaria combatendo em outra frente (contra os russos) em um cenário de guerra total. Como previa o plano, era necessário um ataque rápido e mortal contra as forças francesas desviando a trajetória das séries de fortificações. A única solução era cortar caminho pelo pequeno reino da Bélgica. Se concluída esta etapa, os exércitos deveriam avançar em direção ao território francês pegando-os de surpresa. O avanço também deveria ser rápido para que os alemães conseguissem, assim, chegar em Paris atingindo, em conjunto, a retaguarda dos franceses.

Schlieffen_Plan

Plano Schlieffen

A declaração de guerra

Os britânicos enviaram um ultimato para que as forças alemãs desocupassem imediatamente o território belga, porém, após a recusa dos germânicos, não havia outra opção aos britânicos senão declarar guerra aos Alemães. Eis o motivo que os britânicos tanto esperavam e agora eles tinham alegações e razões formais sobre o motivo de entrar em uma guerra sem se quer terem sido atacados.

Eis o relato de um membro da multidão que aguardava ansiosamente as badaladas do Big Ben (ás 23:00, do horário britânico e as 00:00 horas do horário alemão). Caso as condições do ultimato não tivessem sido aceitas ocorreria, então, a declaração de guerra (neste 04 de agosto):

” Era como a espera do sinal, que jogaria milhões de pessoas partindo contra a própria sorte. As notas profundas do Big Ben soaram na noite na hora mais fatal da Grã Bretanha desde que ela ergueu-se do fundo. Cada rosto estava de repente contraído em uma intensidade dolorosa.”

A maioria das pessoas esperavam que, devido ao tamanho e ao poder da Royal Navy (Marinha Real Britânica), os mesmos iriam para uma guerra marítima. Porém, diferentemente deste pensamento, os britânicos mandaram muitos de seus jovens para a guerra em todos os campos (mar, terra e ar) e diferentemente do que pensavam em relação ao tempo e aos custos, a guerra se provou longa e extremamente cara para o tesouro nacional britânico.

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Rei GEORGE V, comandante das forças britânicas

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