03 de Fevereiro de 1917 – Os EUA rompem relações diplomáticas com a Alemanha

Em 3 de fevereiro de 1917, presidente norte-americano Woodrow Wilson rompeu relações com a Alemanha em represália à Guerra de Submarino ordenada pelo imperador alemão Guilherme 2º, que ameaçava navios mercantes dos EUA. A posição de neutralidade americana era insustentável principalmente após a divulgação do Telegrama Zimmermann e o rompimento das relações diplomáticas era o primeiro passo para a guerra.

Wilson em pronunciamento na Casa dos Representantes, em abril de 1917

“Quando eclodiu a guerra, eu estava visitando meu irmão em Meissen. Vi os soldados marchando sobre a ponte do Rio Elba, com flores nos capacetes”, lembrou o veterano Paul Epstein, de Leipzig. Os soldados foram em clima de festa para as frentes de batalha da Primeira Guerra Mundial, acreditando que voltariam para casa em poucas semanas.

O sonho de vitória rápida das potências centro-europeias – Alemanha e Áustria-Hungria – logo se dissipou. A guerra contra a Tríplice Entente, formada pelo Reino Unido, França e Rússia, terminou num beco sem saída.

Os Estados Unidos, por longo tempo, não intervieram no conflito. Apesar de simpatizarem com a Tríplice Entente, mantiveram-se neutros do ponto de vista militar. Financeiramente, porém, já participavam da guerra, com armas, mantimentos e créditos no valor de nove bilhões de dólares. Os navios que traziam as mercadorias para a Europa eram atacados constantemente.

Em 1917, os EUA declararam guerra à Alemanha, alegando lutar contra o autoritarismo e o militarismo. O pretexto para entrar no conflito ao lado da Entente foi o anúncio feito pelo imperador Guilherme 2º, a 1º de fevereiro de 1917, de que iniciaria uma guerra total com submarinos, ameaçando inclusive afundar sem aviso prévio os navios neutros a caminho dos portos britânicos.

Inverno arrasador

No dia 3 de fevereiro, o presidente norte-americano Woodrow Wilson rompeu relações diplomáticas com o Império Alemão. O gelado inverno de 1917 foi arrasador para a Alemanha. A colheita de batatas caiu à metade e 750 mil pessoas morreram de fome.

Paul Epstein, inicialmente entusiasta da guerra, já não acreditava mais na vitória. “A situação era precária. Quanto mais pessoas eram recrutadas, mais diminuía o número de empregos. A economia estava arruinada”, conta. O inverno de fome e as greves na indústria armamentista esmagaram os alemães em seu próprio território.

Quando os EUA declararam guerra à Alemanha, começava a Revolução na Rússia. A aliança formada por Alemanha, Áustria-Hungria, Bulgária e Turquia tentou decidir a guerra na Europa Ocidental antes de os norte-americanos desembarcarem na França. Centenas de milhares de soldados morreram nas trincheiras, sem conquistar um só metro de território inimigo. “Era uma guerra tática. Quem olhasse por cima da trincheira era fuzilado”, lembra o veterano Epstein.

A intervenção dos EUA decidiu a Primeira Guerra Mundial. Em janeiro de 1918, o presidente Woodrow Wilson apresentou uma proposta de paz de 14 pontos, que só foi aceita pelos alemães quando a derrota já era inevitável. Em julho do mesmo ano, as forças inglesas, francesas e norte-americanas lançaram um ataque definitivo contra a Alemanha, obrigada a retroceder.

A Bulgária e a Áustria retiraram-se do conflito e a Turquia se rendeu. A Alemanha resistiu sozinha, mas a falta de alimentos causada pelo bloqueio aliado e a precária saúde da população colocaram o país à beira da revolução social. A Baviera proclamou-se república e a sublevação alastrou-se por todo o país, até ser anunciada a abdicação do kaiser, exigida pelos EUA.

O líder social-democrata Friedrich Ebert assumiu o poder e negociou a rendição, assinada a 11 de novembro de 1918. Os quatro anos de guerra (1914-1918) deixaram um saldo de 8,7 milhões de soldados mortos e cerca de 20 milhões de feridos.

 

O Discurso de Wilson perante o Congresso

“O Governo Imperial Alemão no dia 31 de janeiro anunciou a este Governo e aos governos de outras nações neutras que em e depois do dia 1 º de fevereiro, o presente mês, iria adotar uma política com relação ao uso de submarinos contra todo o transporte procurando passar por certas áreas designadas de alto mar, o qual é claramente o meu dever de chamar sua atenção.

[…]

Tenho portanto ordenado ao Secretário de Estado para anunciar a Sua Excelência o embaixador alemão que todas as relações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Império Alemão são cortados e que o embaixador americano em Berlim será imediatamente retirado; e, de acordo com esta decisão, a entregar a Sua Excelência seus passaportes.

Não obstante esta ação inesperada do Governo alemão, esta renúncia repentina e deplorável de suas garantias, dado este Governo em um dos momentos mais críticos de tensão nas relações entre os dois Governos, eu me recuso a acreditar que é a intenção do Alemão autoridades a fazer, de fato, o que nos avisou que vai se sentir em liberdade para fazer.

Eu não consigo acreditar que eles vão realmente ter alguma consideração em relação a amizade antiga entre seu povo e nossa própria ou para as obrigações solenes que foram trocados entre eles, e destruir navios americanos, e tirar a vida de cidadãos norte-americanos na intencional acusação do programa cruel programa naval que eles anunciaram a sua intenção de adotar. Somente atos explícitos reais da parte deles pode fazer-me acreditar mesmo neste momento.

Esta confiança inveterada da minha parte, a sobriedade e a previsão prudente de sua finalidade deve infelizmente se provar infundadas: se os navios norte-americanos e vidas americanas devem de fato ser sacrificado por seus comandantes navais em contravenção sem se importar com os justos e razoáveis entendimentos do direito internacional e do óbvio ditames da humanidade, vou tomar a liberdade de vir de novo perante o Congresso para pedir que autoridade me ser dada a usar todos os meios que possam ser necessárias para a proteção de nossos marinheiros e nosso povo no julgamento de seus recados pacíficas e legítimas no alto-mar.

Não posso fazer nada a menos. Eu confio que todos os Governos neutros irão tomar o mesmo rumo.

Não desejamos qualquer conflito hostil com o governo imperial alemão. Nós somos  sinceros amigos do povo alemão e sinceramente, desejo de permanecer em paz com o Governo que fala por eles.

Nós não acreditamos que eles são hostis a nós, é o que somos obrigados a acreditar; e não propusemos  nada mais do que a defesa justa dos direitos inquestionáveis ??do nosso povo.

Queremos trabalhas para que não haja fins interesseiros. Buscamos apenas para ficar leal tanto no pensamento e na ação com os princípios imemoriais do nosso povo, que eu procurava expressar em meu discurso para o Senado apenas duas semanas atrás, procurar apenas para reivindicar o nosso direito à liberdade e à justiça à vida sem sermos incomodados.

Estas são as bases da paz, não da guerra. Que Deus nos garanta a não sermos desafiados a defender-nos por atos de injustiça intencional por parte do Governo da Alemanha.”

USA_bryter_de_diplomatiska_förbindelserna_med_Tyskland_3_februari_1917

Presidente Wilson durante seu discurso no Congresso 

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