19 de Abril de 1922 – Nasce Erich Hartmann, o maior às da história

Nasce Erich “Bubi” Hartmann, conhecido como o “Ás dos ases”. Hartmann foi um dos maiores pilotos da Segunda Guerra Mundial e, com certeza, de todos os tempos. Obteve a marca de 352 aviões inimigos abatidos e participou de 825 combates aéreos durante o tempo em que esteve em ação (aproximadamente 1400 sortidas). Atuou entre outubro de 1942 a maio de 1945.

Erich Hartmann

Erich nasceu em Weissach, no Estado de Württember, na Alemanha, no dia 19 de abril de 1922. Era filho de um médico, o senhor Alfred Hartmann, e de uma das primeiras aviadoras da Alemanha, a senhora Elisabeth Wilhelmine Machtholf. Foi por parte de sua mãe que ele tomou gosto pelo voo. Embora tenha tentado seguir a carreira médica, abandonou a faculdade de medicina e ingressou na Luftwaffe.

Durante sua adolescência acabou por se destacar como piloto de planadores, claro que muito bem orientado pela sua mãe. Elisabeth, que já possuia seu breve, era vista praticamente todo domingo sobrevoando o aeródromo de Böblingen, no estado de Baden-Württemberg (48° 41′ 08″ N 09° 00′ 55″ E), com seus dois filhos a bordo. Assim, nada mais natural que o jovem Erich se tornasse um admirador e entusiasta do vôo.

Em outubro de 1940 Erich ingressa na Luftwaffe. Passou dois anos em treinamento, o primeiro foi na Luftkriegsschule II (Escola de Combate Aéreo) e em outubro de 1941 foi para a Jagdflieger-Vorschule II (Escola Preparatória de Pilotos de Caça), aonde permaneceu até fevereiro de 1942. De fevereiro a julho ele ficou na Jagdflierschule II (Academia de Pilotos de Caça) e depois de passar pela Ergänzungsgruppe Öst em outubro foi enviado para a sua primeira unidade no front, o 7./JG 57 (7° Staffel da Jagdgeschwader 52), aonde chegou no dia 10 de outubro.

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Chegou em seu primeiro posto, situado em Maykop, no dia 25 de outubro e logo foi recepcionado por um Bf 109G em chamas colidindo com o chão, pilotado por Walter Krupinski. Este, por sua vez sempre lidava com os novatos comum cuidado quase que paterno, mesmo com pouca idade. Em Maykop, Hartmann ficou sob os cuidados do Leutnant Alfred Grislawski, um veterano do 9º Staffel (liderado por Hermann Graf) – conhecido como “Karaya Staffel”. Grislawski era um homem vigoroso, filho de minerador e que alcançou grande sucesso combatendo a força aérea vermelha, atingindo, até ser ferido em 1944, a marca de 133 vitórias – pelo que foi condecorado com as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro.

Em seu primeiro confronto (um verdadeiro fiasco), quase abateu seu ala, o Oberfeldwebel Edmund Rossman. Apesar de tudo (e mesmo sendo duramente repreendido pelo seu superior, o Major Hubertus von Bonin), seus companheiros acreditaram em seu potencial. No início de sua carreira, ele não se deu muito bem na aviação e quase foi transferido por conta própria para a infantaria.

Sua primeira vitória veio no dia 5 de novembro durante a sua 19ª missão, na qual ele abateu um II-2 Shturmovik soviético. Seguindo a tradição da Primeira Guerra, ele pintou uma tulipa negra no nariz de seu avião, um Messerschmitt Bf 109G, e um grande coração na fuselagem, sob o qual lia-se “Karaya” (o símbolo do Staffel) e dentro do coração pintou “Ursel”, apelido de sua namorada, Úrsula.

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Erich e Úrsula

Esteve afastado durante o resto de novembro devido a uma febre amarela que adquiriu no front russo e, quando voltou ao combate, já estava mais focado e tinha um controle mais frio e preciso, mas sua próxima vitória viria apenas no ano seguinte, no dia 27 de janeiro, quando abateu um MiG-1.

No final de abril de 1943, ele já havia completado 100 missões e possuía 11 vitórias, já em maio, acumulou 16 vitórias e 158 missões completadas. Hartmann já havia desenvolvido suas próprias táticas de combate, as quais baseavam-se na aproximação e disparos à curta distância. Tal situação o colocava em delicadas situações devido ao permanente risco o qual se submetia ao disparar à distâncias inferiores a 100 metros (realizou ao menos 7 pousos forçados por danos ao seu radiador causados por estilhaços!). No mês de julho, durante a batalha de Kursk, ele derrubou nada menos que 24 aviões adversários, e no mês seguinte, destruiu mais 49 aviões soviéticos, subindo sua contagem para 90 inimigos abatidos.

Em agosto de 1943, Hartmann já possuía o apelido de Diabo Negro (dado pelos Ucranianos) e um prêmio de 10000 rublos por sua cabeça. Além do título, Erich acrescentou em sua lista de façanhas  uma fuga cinematográfica das linhas inimigas. Após ter seu Bf-109G avariado pelos destroços de um IL-2 que abatera e se ver obrigado a pousar atrás das linhas inimigas, Erich, ao avistar soldados soviéticos se aproximando começou a se fingir de ferido. Os soldados soviéticos levaram-no para seu quartel-general, onde o conhecimento de medicina dele manteve o logro até diante o médico que o examinou. Decidiram levá-lo, então, para um hospital de campanha mas, no caminho, o caminhão foi atacado por Stukas e Hartmann conseguiu saltar e fugir através de um campo de flores. Perdido na “terra de ninguém” por mais de um dia, ele finalmente conseguiu alcançar as linhas alemãs, onde finalmente se encontrou a salvo. Após a fuga, ele deu uma pausa nos combates, mas voltou com força total em setembro e já no mês seguinte contabilizava mais 48 vitórias. Ficou de licença em novembro e em dezembro foi condecorado com a Cruz Germânica.

No dia 26 de fevereiro de 1944, ele já havia derrubado mais de 202 aviões inimigos. Foi neste dia que recebeu um telegrama de Adolf Hitler, que o condecoraria alguns dias mais tarde com as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro, no Ninho da Águia, a residência particular do ditador, localizada nos Alpes bávaros. No dia 18 de março ele seria promovido a Oberleutnant.

Quando a guerra virou a favor dos russos, as tropas alemãs tiveram que se retirar da Crimeia e Hartmann viu-se dando apoio a unidades terrestres até maio de 1944. Depois disso ele foi enviado para a Romênia, aonde atuaria protegendo os campos petrolíferos dos ataques norte americanos. Um mês depois (2 de julho), quando derrubou seu 269° inimigo, ele foi ao Wolfschänze para ser condecorado com as Espadas da Cruz de Cavaleiro.

Na sua 300º vitória, ele recebeu um telegrama do führer dizendo que ele seria o 18° soldado a receber a Cruz e Cavaleiro com folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes. No primeiro dia de setembro, ele foi promovido a Hauptmann e, no dia 9, ele casou-se com sua noiva Úrsula. Hartmann fecha o ano de 1944 com mais de 331 aviões abatidos.

Em março do ano seguinte Hartmann começaria seus treinamentos para pilotar o lendário Messerschimitt Me 262 e, no dia 8 de maio de 1945, ele alcaçaria sua 352ª e última vitória (curiosamente sobre um Yak-9 que fazia acrobacias para festejar a rendição alemã). No mesmo dia, ele o companheiro Hermann Graf receberam ordens de se entregar aos americanos, porém, resistiram à ordem para não deixar os outros 2.000 soldados e familiares que serviam na JG 52, onde estava baseado desde o começo do ano. Em vez disso, acabaram se rendendo a 90ª Divisão Blindada do Exército Norte Americano em Pisek, na Checoslováquia, mas os americanos os entregaram aos russos.

Hartmann passou por campos de trabalho forçados e prisões até que, graças ao chanceler alemão Konrad Adenauer, foi libertado pelos soviéticos em 1955, ou seja, depois de 10 anos de trabalhos forçados em campos soviéticos. Ele chegou na Alemanha com 33 anos pesando 45 quilos.

Foi convidado a participar da nova Luftwaffe, no início de 1956, sendo efetivado como major da JG 71 “Richthofen”, a primeira unidade de caças a jato da Alemanha Ocidental. Após discussões com seus superiores, ele aposentou-se em 1970 e nos anos seguintes passou a ministrar aulas de voo no Aeroclube de Herrenberg, mantendo-se assim junto da sua esposa e filha. Erich morreu no dia 19 de setembro de 1993, aos 71 anos de idade, em Weil in Schönbuch, na Alemanha.

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Canadair Sabre com a “tulipa” de Hartmann no Luftwaffenmuseum

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