21 de Abril de 1943 – O dia em que os Aliados capturaram um Tiger Tank

Durante toda a Segunda Guerra Mundial, além do duelo de interesses e ideologias, havia a corrida para o desenvolvimento das melhores máquinas de batalha. Durante parte dela, o Tiger se destacou como o melhor e mais moderno tanque pesado, temido e caçado pelos aliados.

Após a Operação Barbarossa, onde encontraram os melhores tanques da época – os Russos KV-1 e T-34 – os Alemães aceleraram o desenvolvimento de um novo tanque pesado que fizesse frente aos usados pelo exército vermelho. Hitler, durante uma reunião sobre os armamentos da Alemanha em Maio de 1941, ordenou a criação de um tanque pesado que tivesse um grande efetividade para penetrar tanques inimigos, possuísse blindagem superior às já utilizadas e que tivesse velocidade máxima de, no mínimo, 40km/h. Além destas especificações, o tanque deveria ficar pronto para o aniversário de Hitler, em 20 de Abril de 1942. Com isso iniciou-se o ‘Tiger Program’ com a disputa entre a Porsche e a Henschel and Sohn para a fabricação do chassis enquanto a torre seria fabricada pela Krupp. Desse projeto surgiu o Sd.Kfz. 181 Panzerkampfwagen VI Ausf. E Tiger I ou simplesmente Tiger, o primeiro a usar nome de animais, como uma ferramenta de propaganda. Logo nos primeiros dias de atuação o Tiger mostrou-se muito superior aos tanques aliados, e devido a seu poderoso canhão de 88mm, dizimou a moral das tropas aliadas, causando a criação do termo “Tigerfobia”. 

Flak 88, arma incorporada ao Tiger
Flak 88, arma incorporada ao Tiger

Para tentar combater o Tiger, os aliados criaram uma variação do Sherman, o “Firefly”, que utilizava o 17 pounder ‘pdr’ (76.2mm) com cerca de 2 mil unidades foram fabricadas. O objetivo dos aliados ainda era capturar o bichinho de estimação do Fuhrer intacto – já que as tropas Panzer tinham ordens de destruir seus tanques caso fosse necessário abandoná-los – e para essa missão Winston Churchill designou o Major Douglas Lidderdale, um jovem e brilhante engenheiro militar. Ele aceitou a missão, convocou sua equipe (Corporal Bill Rider – Tank Driver, Sergeant Sam Shaw and ­Lieutenant Reg Whatley) e partiu para a Tunísia. Entre Março e Abril de 1943, Lidderdale ficou sob constante bombardeio, arriscando sua vida diariamente e ficando cada vez mais frustrado. Um Tiger foi explodido por engenheiros Ingleses, outro foi recuperado pelo exército Alemão e o terceiro foi destruído pela própria equipe, para evitar a captura. Porém, no dia 21 de Abril de 1943, Major Lidderdale saiu cedo, depois de ser acordado com o barulho dos bombardeios, subiu em seu Churchill Mark IV e saiu certo que que aquele seria o fatídico dia. Meia milha após, ele avistou a torre de um Tiger, o 131, com a escotilha aberta e com um soldado examinando a torre do blindaso. Eles contornaram o terreno e em poucos instantes estavam ao lado do Tiger, atirando contra os alemães e imobilizando a torre do Tiger. Depois de eliminarem os inimigos Major Lidderdale abre seu cantil e brinda com seus companheiros: sua missão estava cumprida.

Major Douglas Lidderdale
Major Douglas Lidderdale

Algumas semanas depois, Churchill estava lá para ver seu prêmio. O Primeiro Ministro de 69 anos não se importou com o calor de 38 Graus e, usando um chapéu, um óculos escuros e seu característico charuto, foi inspecionar o brinquedinho de Hitler.

Primeiro Ministro Britânico Winston Churchill
Primeiro Ministro Britânico Winston Churchill

 

“Um dia, Sr.Lidderdale, a nação ficará sabendo da coragem e de seus homens. Mas você não deve falar sobre essa missão até que eu lhe avise”

Estas foram as palavras de Churchill para Douglas, e a missão permaneceu secreta até sua morte, em 1999, quando seu filho David conheceu a verdade sobre a missão de seu pai. Depois de Churchill, o rei George VI também quis conhecer o Tiger.

King George
Rei George examinando o Tiger

 

A próxima missão de Douglas era transportar o Tiger de volta ao Reino Unido, porém os alemães sabiam que os britânicos possuíam um Tiger e estavam determinados a evitar que ele chegasse a seu destino. O Tiger foi posto no S.S.Empire Candida, para a primeira parte da viagem até o porto de Bizerte, na Tunísia, com os Alemães os seguindo. Reza a lenda que quando o U-Boat abriu fogo conta o SS Empire Candida, logo, Douglas subiu no Tiger e revidou contra o U-Boat, que retirou-se rapidamente. Após ser carregado no S.S.Ocean Strenght, ser perseguido por U-Boats e por aviões da Luftwaffe, em Outubro de 1943 o Tiger desembarcou em Glasgow, de onde foi levado por Douglas para Londres. Com a tecnologia do Tiger os aliados puderam desenvolver diversos equipamentos e veículos para os desembarques do Dia D.

Atualmente, o Tiger 131 é um dos poucos Tigers inteiros e o único totalmente funcional. Ele está exposto no Bovington Tank Museum e é uma das estrelas do Museu.

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Por Gustavo Buffé

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