04 de Fevereiro de 1945 – A Fuga de Danilo Moura

No dia 4 de fevereiro Danilo Moura foi escalado para voar na Esquadrilha Amarela sob o comando do Capitão Joel Miranda. Após realizarem o objetivo primário partiram em busca de alvos de oportunidade, durante o ataque a uma estação ferroviária em Castelfranco Danilo e o capitão Joel foram atingidos pela artilharia inimiga e tiveram que realizar saltos sob território inimigo.

Sua aterrissagem aconteceu as 15 horas e 15 minutos, ao contatar o solo avistou 4 partizans que apareceram para ajudá-lo. Esconderam o para-quedas e iniciaram a busca por um novo esconderijo, percorreram um longo caminho evitando as patrulhas alemãs que buscavam incessantemente o piloto brasileiro, Danilo exausto da caminhada pediu aos italianos que o deixassem providenciou então um breve abrigo com um monte de palha de milho, graveto e o que mais estivesse disponível, posteriormente o partizan retornou trazendo alimento e foi questionou o aviador sobre qual direção gostaria de seguir, o aviador respondeu que em direção sul.

Foi para um primeiro abrigo a cerca de 500 metros de onde havia improvisado aquele esconderijo, porém teve que abandonar o novo local imediatamente pois patrulhas alemãs aproximavam-se de sua posição, acabou retornando então a localidade inicial e ficou lá até que os guerrilheiros trouxeram um professor de geografia para instruir Danilo sobre a localização e qual direção seguir além de dar a ele roupas civis. O mesmo trocou as vestes e livrou-se de sua arma, pois se fosse pego com ela poderia ser executado como espião.

No dia 06 iniciou sua jornada rumo ao sul, tal como foi instruido devia seguir primeiramente para a cidade de Padova, porém atrapalhou-se na orientação e rumou para Vicenza. Após mais de 7 quilômetros andando na direção errada consultou uma bússula e viu que rumava ao lado oposto do que realmente desejava, teve então que refazer os quilômetros desta vez indo corretamente em direção a cidade de Padova. Chegou na cidade por volta das 18 horas e tomou a estrada para a cidade de Ferrara. Após uma hora de caminhada chegou a pequena Monsellice, onde teve que procurar abrigo já que a noite se aproximava e o inverno italiano era muito rigoroso. Como não possuía identificação muitos italianos negavam-lhe assistência, até que uma casa forneceu-o abrigo, para convencer os donos da residência o gaúcho contou a seguinte história :

” Havia perdido a irmã num bombardeio em Treviso e que estava indo para Revigo onde moravam os pais. “

Após o repouso naquela casa partiu bem cedo rumo ao seu destino, andou sem descanso até as 17 horas onde procurou um abrigo e decidiu que um monte de feno era realmente a melhor opção para passar mais aquela noite de inverno, no dia 08 acordou novamente bem cedo e rumou para Rovigo. Chegando naquela cidade percebeu que estava abarrotada de soldados alemães, resolveu adentrar-la mesmo assim viu então um grupo de camponeses e seguiu com os mesmos rumo ao centro de Rovigo, na barreira feita por soldados proferiu um ” Heil Hitler” e prosseguiu seu caminho.

Chegou ao Rio Pó no dia 09 e procurou alguma maneira de atravessá-lo através de alguma ponte ou embarcação mas não havia, seguiu até Ferrara então para ver se havia algum modo de cruzar o rio, realmente havia porém era com uma única embarcação rigorosamente controlada pelos alemães. Foi para Ostiglia, parando no caminho em Occhi Bello onde tomou um pouco de vinho e percebeu a condição deplorável que aparentava estar resolveu então fazer a barba. Continuou sua caminhada e mais uns 3 quilômetros na direção Oeste encontrou um italiano rachando lenha e foi ao seu encontro contando a história sobre a perca da irmã para convencer o camponês, mas o mesmo percebeu suas botas pintadas e desmascarou o aviador que imediatamente contou a verdadeira história sobre ser um piloto de combate abatido e que precisava de assistência, o italiano concordou em ajudá-lo. Ficou por 5 dias na casa deste descansando de seu longo caminho feito até o momento, no dia 15 partiu junto ao camponês para a travessia do Rio Pó com documentos que o italiano improvisou para o brasileiro.

Foram novamente a Ferrara ( Só que desta vez pelo outro lado do rio ) deixando-o nos arredores da cidade e lhe instruiu a seguir rumo a Modena. Danilo foi então às margens do rio Panaro e parou em Bondeno, já no dia 16 continuou sua jornada rumo a Modena. Durante este caminho chegou a pedir cigarros a um oficial alemão que negou-lhe com arrogância, mas de nada desconfiou de que aquele que o pedira cigarros na verdade era um piloto aliado. No dia 19 após pegar “carona” com sua bicicleta (trocada por uma carta de recomendação junto ao camponês que o ajudara em Occhi Bello) ao lado de um caminhão chegou à estrada nº9 que o conduziria a Modena, porém após colher informações sobre a estrada junto a população local soube que a mesma estava abarrotada de tropas fascistas, decidiu então desviar seu caminho para Vignole.

Esta nova cidade era tão perto da linha de combate que era possível ouvir os barulhos dos tiros de artilharia, pediu abrigo nesta cidade a uma senhora que imediatamente reconheceu-o como não sendo um italiano, novamente Danilo contou a verdadeira história sobre ser um piloto de guerra abatido e que precisava de ajuda, ela concordou em ajudá-lo e contactou um primo que era partizan para que ajudasse o piloto de combate. No dia 20 partiu para o encontro com o partizan que o abrigou e no dia seguinte outros 6 guerrilheiros apareceram para leva-lo ao ponto da travessia.

Em 23 de fevereiro foi levado ao Quartel General dos Partizans nos Apeninos e ficou ali até o dia 28 de onde foi levado a uma pequena vila nas montanhas, no dia 1 de Março após quase um mês desde sua queda iniciou a travessia rumo as linhas aliadas. Chegaram à Berga às 8 da manhã do dia 02 de Março, esta cidade era sede de comando de algumas unidades aliadas. No dia 03 foi conduzido à sede da 12ª Força Aérea, onde após mais de 5 horas de interrogamento ( o brasileiro havia anotado posições militares alemãs que cruzou durante sua jornada Norte/Sul ) foi liberado para entrar em contato com seus colegas do 1º Grupamento de Caça.

Chegou no dia 4 sendo imediatamente recepcionado por seus colegas. Durante sua Trajetória havia perdido 21 Quilos e percorrido 450 km.

Em 18 de Março a Esquadrilha verde decolou com o objetivo de atacar a cidade de Vignole e/ou Sussara, durante o voo lembraram que esta cidade era a mesma da senhora que havia ajudado o tenente brasileiro, imediatamente transferiram o seu objetivo para a cidade de Sussara e pouparam Vignole.

danilo e o partizanNo fim da Guerra Danilo encontra o Partizan que o ajudou durante sua fuga

 

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