21 de Fevereiro de 1997 – Falece o 1º Tenente Aviador Ismael de Motta Paes

Primeiro piloto brasileiro a ser capturado pelos alemães e o último a ser libertado, foi livre por tropas russas. Faleceu em 21/02/1997.

Motta Paes

 

 

Nasceu em Belo Horizonte no dia 30 de Junho de 1920. Voluntariou-se para o 1º Grupamento de Caça chegando ao front italiano em 6 de Outubro de 1944 onde foi designado a  voar pela Esquadrilha Amarela sob o comando do capitão Joel Miranda, durante uma missão de bombardeio realizada no dia 23 de Dezembro de 1944 foi abatido pela artilharia antiaérea inimiga e teve que realizar o salto de Para-Quedas nas proximidades da cidade de San Benedetto.

Ao chegar em solo caiu em águas bem geladas ( era inverno na Europa )e após deixar seu paraquedas ser levado pela correnteza iniciou sua caminhada para procurar assistência porém acabou sendo encontrado por uma patrulha alemã. Foi levado como prisioneiro de guerra primeiramente para a cidade de San Benedetto e posteriormente para Verona de onde encontrou pela primeira vez mais prisioneiros de guerra, em Verona pegaram um trem que os levou a Frankfurt, Alemanha, neste cidade foi levado a um campo de interrogação da Luftwaffe, já em sua chegada neste campo colocaram o aviador brasileiro por 15 dias em uma solitária e foi interrogado por sete vezes onde somente respondia aos seus captores o nome posto e número de série.

De Frankfurt foi levado ao campo de prisioneiros de Westzlan no dia 12 de Janeiro de 1945, ficou neste campo até 19 de de janeiro quando foi transferido para o Stalagluft nº1 de Stettin. Este campo abrigava 8000 prisioneiros de guerra da Força Aérea sendo que destes 8000 , 7300 eram pertencentes a USAAF e outros 700 eram da RAF; Para a administração de tantos prisioneiros os alemães escolheram um coronel aviador norte americano (que era prisioneiro ) o qual ficaria como o oficial de ligação entre os prisioneiros e a administração do campo, para ajudá-lo nesta tarefa o coronel escolheu outros oficiais para que administrassem cada alojamento.

Seu campo foi libertado por tropas russas que estavam reconquistando o leste europeu, os soviéticos insistiram ao comandante americano do campo para que ele fizesse uma marcha com os prisioneiros até Odessa para tomar navios rumo aos Estados Unidos, este coronel americano no entanto disse que não faria isso e entrou em contato com o comando norte americano pedindo ajuda para não sofrer intervenção soviética durante o processo de regresso dos prisioneiros, os amercanos enviaram vários B-17 para transportar os prisioneiros de Stettin para Reims, França. O brasileiro saiu de Stettin no dia 14 de Maio a bordo de um avião que o levou à França.

Chegando a Reims era tratado pelos norte americanos como um oficial da USAAF, já que não possuía identificação somente sua dogtag e o ticket emitido pelos alemães aos prisioneiros o qual constava em sua nacionalidade como USA-Brasilieaner, os norte americanos interpretaram então como sendo um oficial da USAAF só que de nascido no Brasil e o enviaram a San Valery  (onde encontrou outro prisioneiro de guerra brasileiro, um tenente da FEB) chegando a esta localidade explicou sua situação ao coronel responsável por aquela cidade pedindo para ir a Paris para contactar a embaixada brasileira, o mesmo providenciou o pedido do aviador brasileiro e conseguiu que ele e seu colega da FEB fossem a capital francesa. Em Paris os 2 oficiais tentaram contactar o embaixador brasileiro que preferiu dispensar a presença dos dois para tomar um chá com o Arcebispo de Paris, já os americanos ao contrário do representante do governo na França, fizeram de tudo que podiam para que os dois ex-prisioneiros retornassem às suas unidades de origem, foram enviados a Marselha onde o coronel daquela cidade conseguiu que os devidos comandantes das unidades dos ex-prisioneiros fossem avisados sob seu paradeiro a seus oficiais, o coronel Nero Moura mandou então buscarem Motta Paes em Marselha e no dia 07 de Junho de 1945 o aviador brasileiro reencontrou sua unidade.

Motta Paes faleceu em 21 de fevereiro de 1997.

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