4 de Abril de 2010 – Claude Quétel lança a obra ‘Mulheres na Guerra’

Livro resgata fotos e documentos e revela a real participação feminina na Segunda Guerra Mundial.

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Militares tricotam após travessia do rio Garigliano (Itália) em zona de conflito. Atuavam nas
Forças Francesas Livres, equipe feminina do Exército francês

Um numeroso e pouco conhecido exército de guerrilheiras oficiais, pilotos e atiradoras de elite,todas fortemente engajadas – e armadas – nas batalhas deflagradas pela Segunda Guerra Mundial , é agora retratado em textos e raras imagens no livro ‘’Mulheres na Guerra’’ (Larousse), do historiador Claude Quétel. Ele escreveu sua obra a partir de estudos sobre o assunto que vêm sendo produzidos desde a década de 1970 (a publicação inclui uma rica biografia) e lança um novo olhar sobre a participação das mulheres no conflito. Sua tese é de que a historiografia moderna relega a atuação feminina a um segundo plano e seu objetivo é mostrar que ela esteve presente em todas as dimensões da guerra. Quétel recupera a biografia de importantes personalidades desse período cujas trajetórias foram esquecidas ou nunca documentadas: ‘’As mulheres veem a sua história dissolvida na história dos homens’’. Numa das fotos incluídas estão duas militares fazendo tricô diante dos seus furgões blindados do Exército Francês – emblemática a habilidade feminina de se desdobrar das agulhas às armas. O tricô das oficiais do século XX não tem nada do romantismo da mitológica Penélope, que tece enquanto espera o futuro marido chegar de suas homéricas batalhas. Elas tricotam no front e estão a postos no conflito de Garigliano, na Itália.

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A atriz alemã Marlene Dietrich visita soldados aliados na Alemanha, em 1944. Ela vivia nos EUA e
foi intimada a retornar ao seu país. Voltou para expressar repúdio a Hitler

Entre os personagens destacados no livro está a belga Odette de Blignères, jovem de uma família aristocrática que trabalhou como manequim da Maison Chanel antes de entrar para um grupo internacional de resistência à ocupação alemã. Em 1942, ela contribui com transporte e munição para soldados aliados fugissem pelos Pirineus e alcançassem Londres viajando pela Espanha. Também militou no movimento antifascista italiano ao lado de outras mulheres. Conhecida como a ‘’ciclista que detonava explosivos’’, a química francesa Jeanne Bohec foi escalada para trabalhar na confecção de armas de sabotagem. Além de fabricá-las, ela as utilizava para detonar ferrovias e cumpria sua missão in loco de bicicleta. Em 1944, ela estava no grupo que resistiu a um ataque alemão em Saint-Marcel. Jeane sobreviveu e recebeu honrarias militares no final da guerra.

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A coronel Margaret Kneebone (à dir.) coordena resgate após bombardeio em Londres,
em 1941. Seu batalhão médico acompanhava o Exército inglês

Outra francesa, Georgette Gérad, entrou para o grupo de Resistência de Lyon e atuou no movimento Combat. Em 1943, ela era a capitã de um grupo de cinco mil guerrilheiros divididos em 120 acampamentos localizados em florestas. Para ‘’inspirar confiança’’, se fazia por uma oficial e se autodenominava “comandante Gérard”. Poucos subordinados sabiam que se tratava de uma mulher. Em Berlin, uma extraordinária manifestação de caráter antinazista foi protagonizada por mulheres. E deu certo. O protesto de Rosenstrasse envolveu centenas de alemãs casadas com judeus, que reivindicavam a libertação de seus maridos. Após uma semana te intensos motins, Joseph Goebbels libertou cinco mil berlinenses de origem judaica. “O ódio político das mulheres é extremamente perigoso, teria dito Adolf Hitler”.

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Mulheres da Força Aérea inglesa (WAAF) reparam aviões de caça. Elas controlavam
a segurança dos cinco mil quilômetros da costa britânica

Na união soviética, onde o alistamento militar feminino já ocorria desde 1925, eram muitas as soldados e atiradoras que assumiam a linha de frente do Exército soviético. Uma delas foi Luba Makarova, atiradora de elite, que ilustra a capa do livro. Ela participou da conquista de Berlim, ao final da guerra, como capitã de um Exército formado por homens. Uma outra jovem soviética, integrante da Juventude Comunista, militou contra a invasão alemã a Moscou. Ativista de um grupo guerrilheiro, Zoia Kosmodemiankaia, 18 anos, organizava sabotagens as tropas alemãs e foi presa após colocar fogo em estábulos do inimigo. Cruelmente torturada, ela foi enforcada e teve seu corpo exposto publicamente. Um repórter do jornal ‘’Pravda’’ a fotografou e a imagem de Zoia e sua história a transformaram em “heroína da União Soviética”. Segundo Quétel, o fato serviu de motivação para o Exército Vermelho, que foi insultado pelo slogan “patriótico”: Matem o monstro nazista.
Além de narrar as histórias com leveza e sempre incluir detalhe pessoal ou curioso no perfil de suas personagens, o autor também envereda por temas mais prosaicos. Conta, por exemplo, como a guerra determinou a moda de uso de turbantes e reproduz um relato da filósofa e escritora francesa Simone de Beauvoir, famosa adepta do adereço. Ela explica que as freqüentes panes de eletricidade inviabilizaram o uso do penteado permanente (o mise-en-plis), e a crise de abastecimento fez desaparecerem os chapéus da lojas. Para não sair de “cabelos ao vento”, que era de mau gosto na época, adotaram-se turbantes. “Apeguei-me a eles definitivamente”, escreve Simone.

Segue algumas páginas do livro de exemplo:

 

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