08 de Maio de 2017 – E se os nazistas tivessem vencido a II Guerra Mundial?

E se Hitler e os nazistas tivessem vencido a Segunda Guerra Mundial? Essa talvez seja a pergunta mais recorrente quando se trata de especular sobre os caminhos alternativos da história.

Muitos romancistas e historiadores tem escrito sobre a realidade de um mundo onde a Alemanha saiu vitoriosa da Segunda Guerra e de como tal vitória teria sido possível. Nesta postagem vamos conhecer alguns cenários ficcionais nos quais os nazistas vencem e se tornam os senhores absolutos da  humanidade. Depois, em outra matéria, faremos uma especulação histórica sobre as possibilidades reais de uma vitória nazista na Segunda Guerra Mundial.

nova_iorque_nazista
Por qual motivo o desfecho da Segunda Guerra Mundial é assunto de tanta especulação? Muitas outras guerras ao longo da história tiveram pontos de viragem dramáticos que rivalizam com os da Segunda Guerra Mundial, no entanto, é a perspectiva de uma vitória nazista que nos fascina (e nos horroriza).

Penso que existem duas razões pelas quais isso acontece. A primeira é bastante óbvia: a Segunda Guerra Mundial foi a maior e mais cara guerra em toda a história humana. Foi a última guerra a ter combates em larga escala na Europa e, mesmo tendo chegado ao fim há mais de 70 anos, ela ainda permance viva na memória de uma grande parte da população;  o que não acontece com outros conflitos como as Guerras Napoleônicas e a Primeira Guerra Mundial.

Em segundo lugar, e na minha opinião, o ponto mais importante: a Segunda Guerra Mundial talvez tenha sido a única guerra da história com uma distinção entre bons e maus. Todas as guerras, por sua própria natureza são moralmente ambíguas, entretanto, influenciados pelo enorme poder do cinema americano, temos a tendência de olhar para a Segunda Guerra Mundial como uma batalha entre o bem e o mal.

Então, como seria o mundo depois de uma vitória alemã na Segunda Guerra Mundial? Embora seja claro que é impossível responder com exatidão  a essa pergunta, nada impediu que vários escritores  especulassem sobre esse tema. Agora, veremos quatro livros que trazem diferentes cenários ficcionais onde  os Aliados são derrotados pelas forças do Eixo.

– E se o Eixo tivesse vencido? – O Homem do Castelo Alto

Mapa do mundo se os nazistas vencessem

O Homem do Castelo Alto, do escritor americano Philip K. Dick, é um dos primeiros romances de história alternativa a olhar para uma vitória do Eixo na II Guerra Mundial. Escrita em 1962, a história é ambientada em 1962, onde a Alemanha nazista, a Itália fascista e o Japão Imperial ganharam a guerra e mais ou menos que dividiram o mundo entre si (ver mapa acima).

A divergência da nossa linha do tempo acontece em 1934 quando, no livro, Franklin Delano Roosevelt é assassinado. Sem ele, os Estados Unidos não conseguem sair da Grande Depressão e não se mobilizam para a guerra. Nesse cenário, os nazistas vencem o  Reino Unido e a União Soviética, enquanto que o Japão derrota os americanos.

O mundo é dividido em 2 blocos, em uma situação análoga a da Guerra Fria: o Grande Reich alemão (e países ocupados) com seu aliado, o Império Italiano, contra o Império do Japão (que inclui a esfera de Co-Prosperidade do leste da Ásia Maior). Os Estados Unidos são divididos em três blocos: os Estados Pacíficos da América, sob o controle japonês; os Estados Montanhosos, uma zona livre sempre na mira das duas potências; e os  Estados Unidos da América, um estado fantoche dos alemães.

Estranhamente, parece que o Canadá conseguiu evitar a ocupação, apesar de ser parte do Império Britânico e estar ativamente em guerra contra a Alemanha nazista desde o início do conflito. Outro fato interessante é que na história o Mar Mediterrâneo foi drenado, algo realmente proposto pelo arquiteto alemão Herman Sörgel em 1920.

Embora o resultado imaginado no livro seja historicamente inadmissível, ele explora muitos temas interessantes, especialmente em torno da natureza da realidade, e vale a pena lê-lo, se você se interessa por esse gênero de literatura.

– E se somente a Alemanha tivesse vencido? – Pátria Amada

life_nazi_germany_pre_ww2_23

Pátria Amada, do autor britânico Robert Harris, traz um olhar um pouco mais “realístico” do que seria uma vitória dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Escrita em 1992, a história é ambientada em um 1964 fictício, na semana que antecedeu o 75º aniversário de Hitler.

Ao contrário de em O Homem do Castelo Alto, o Japão foi derrotado pelos Estados Unidos durante a guerra. No entanto, americanos e alemães permanecem envolvidos em uma ferrenha guerra fria. A Alemanha nazista controla toda a Europa até os Montes Urais, mas ainda tem que lidar com guerrilhas nas áreas dominadas.

A maior parte da Europa Oriental foi dividida em Comissariados do Reich, controlados pelos nazistas e toda a Europa Ocidental forma uma espécie de Comunidade Europeia, também sob o domínio alemão.

Eu não quero estragar a surpresa, caso você não tenha lido o livro, mas um dos pontos principais do enredo gira em torno do que aconteceu aos judeus da Europa, durante e após a guerra.

– Uma Terceira Guerra Mundial? – Na Presença dos Meus Inimigos

Nazi-America

In the Presence of Mine Enemies (sem edição em português), do romancista americano Harry Turtledove, é o livro mais recente dos analisados aqui, ele foi escrito em 2003 e a história  se desenvolve no ano de 2010. Nessa visão alternativa, os Estados Unidos permaneceram fora da Segunda Guerra Mundial, o que possibilitou a vitória dos poderes do Eixo. Neutros no conflito europeu,  os americanos se viram envolvidos numa Terceira Guerra Mundial, perdida para os alemães e seus aliados, que haviam dominado a tecnologia das armas nucleares.

Nesse 2010 alternativo, a Alemanha e o Japão são as principais potências mundiais, ocupando e anexando grandes partes do mundo.

A Alemanha controla quase toda a Europa, exceto a Itália fascista, a Espanha e Portugal. Como resultado da  vitória na Terceira Guerra Mundial, os nazistas também controlam a maior parte da América do Norte.

Itália, Espanha, Portugal, Alemanha e uma União Branca, sediada na África do Sul, dividiram o controle da África. O Japão Imperial, por outro lado, controla praticamente todo o Leste Asiático, a Austrália e o Alasca, através da Grande Esfera da Co-Prosperidade da Ásia Oriental. A América do Sul (com poucas exceções) permanece fora do controle direto desses impérios fictícios.

– Sete séculos de domínio nazista? – Swastika Night

Religião Nazista

Creio que poucos leitores do blog já ouviram falar de Katharine Burdekin ou do seu Swastika Night (sem edição em português), romance distópico, publicado sob o pseudônimo de Murray Constantine em 1937, ou seja, antes da Segunda Guerra Mundial.

A história se desenrola sete séculos depois do Eixo ter vencido a Segunda Guerra Mundial (no livro chamada de Guerra dos Vinte Anos). A Alemanha domina a Europa e a África; o restante do mundo fica sob o controle japonês. As “raças inferiores” foram exterminadas, os poucos cristãos que ainda restam são perseguidos. O Terceiro Reich é uma estranha sociedade feudal retro-futurista, cujos alicerces são baseados no militarismo extremo, na conformidade, no patriarcado e em uma religião bizarra que gira em torno de um Hitler divinizado. Além disso, uma misoginia doentia ganha força legal: o estupro não é mais crime e as mulheres existem apenas para gerar a próxima geração de super-homens teutônicos.

Apesar de ser um grande e belo exercício de imaginação, Swastika Night postula uma história alternativa terrivelmente coerente e plausível, e a levar em conta  a data em que foi publicado, o romance é misteriosamente profético e perspicaz quando trata da natureza do nazismo: a violência, a irracionalidade, a superstição; o modo como ele desumaniza e destrói a todos, mesmo os mais poderosos. Mais importante: o romance expõe o elo inextricável entre misoginia, patriarcado e fascismo. Swastika Night é uma das poucas ficções que enfatiza este elemento-chave dos nazistas: o homem como sendo o herói conquistador do mundo.

Fonte: por Kid Bentinho

Comments are closed.